Escrito por Daniel Bender, visite seu site

Esse post faz parte da coleção de piores erros feitos em viagem. Quem deixar um comentário lá com o seu concorre a um livro de viagem. Mas vamos ao que interessa, pois este é o meu pior.

Em 2000, quando eu fui para a Europa fazer minha viagem de mochilão eu cometi o pior erro em viagem na vida. Na verdade eu fiz os dois piores - talvez três, mas vou parar de contar para evitar vexames públicos.

Ao planejar a viagem - e eu juro que planejei um monte - imaginei que seria muito legal fazer a travessia do continente usando um daqueles passes de trem ilimitados. Claro que seria. Então eu fui e comprei um, me lembro até do preço US$ 1108 para três meses.

Dias antes de embarcar preparei todo a minha documentação, pesei a mochila várias vezes, convenci minha mãe de que levar um terno para a Europa seria a maior frescura já realizada por um mochileiro na história da humanidade (depois, na França, conheci um sujeito paulista que não conseguiu convencer a sua mãe, hahaha), peguei os remédios mínimos necessários para os três meses (aspirinas, band-aid, remédios para asma, etc).

Com tudo certo, pedi demissão do meu emprego e embarquei para a grande viagem numa Sexta-feira Santa de manhã bem cedo. Cheguei na Itália no sábado de manhã e me surgiu a grande dúvida “será que eu trouxe o meu passe de trem”.

Aconteceu, eu esqueci essa porcaria em casa. Era o segundo documento mais importante para a viagem, só perdendo para o passaporte e tinha ficado em Novo Hamburgo. Naquele dia mesmo eu liguei para o meu pai e pedi que me enviasse o negócio por DHL, Sedex, pombo-correio, sei lá. Mas como era feriadão de Páscoa, vagabundo nenhum trabalhava e o envio só seria realizado na segunda.

Ok, pensei eu, o meu atestado de burrice chega na quarta no escritório da DHL em Milão. Aliás, chegaria, se segunda da paixão não fosse feriado. E se terça-feira não fosse um feriado local. Malditos italianos.

Resultado, a porcaria do passe só chegou na sexta em Roma (eu paguei a merda da passagem para lá porque já estava cansado de Milão) no escritório central da DHL. Peguei o endereço por telefone falando italiano, português e inglês ao mesmo tempo (imagine feijoada com macarrão ao molho de bufallo wings), era via Tiburtina 1170 (ou algo assim).

Olhei no meu mapa de Roma e vi uma estação até que próxima dessa avenida. Desci nela, era o número 300 e alguma coisa. Aqui na minha aldeia ir do número 300 ao mil só requer algumas quadras. Lá na Itália não. Cada terreno é um número, e às vezes há A, B e C. Merda.

Caminhei duas horas até chegar no maldito escritório, às 13h02. Detalhe, os malditos comedores de pizza funcionários dessa empresa de fundo de quintal, nativos desse país em forma de acessório chulezento, encerrariam o expediente exatamente às 13h. E nem um minuto mais!

O que eu implorei para o sujeito bigodudo entregar a minha encomenda não tem registro na história contemporânea. Talvez só o Phillip faça melhor.

No final ele entregou o que eu queria e nem me exigiu documento que comprovasse minha identidade. Acho que consegui arruinar o final de semana dele.

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3 Comments to “O dia em que eu esqueci o passe de trem”

  1. Rafael Gomes | June 13th, 2007 at 11:46 pm

    auehuae

    Muito bom…

    O meu? Que eu lembre, nenhum!

  2. Jean | June 14th, 2007 at 1:48 am

    O meu pior em viagens foi esquecer a passagem de volta quando viajei ate New York, resultado, estou vivendo aqui ja fazem quase 10 anos.

  3. FernandoMS - Pulga | June 15th, 2007 at 9:06 am

    Ótimo!
    …[:)]…

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