
Na ida para a China tínhamos 12 horas de espera no aeroporto de Johannesburg. Sendo assim, fizemos o que todo viajante de ferias deveria fazer: uma tour pela cidade.
Bastou irmos ate o balcão de informações turísticas do aeroporto e falar em passeio de um dia que um sujeito perfeitamente alinhado se apresentou:
“Sou Themba, e levo vocês para passear na cidade, incluindo almoço por 75 dólares” – caro pra burro eu pensei, então decidi pular o almoço e economizar 15 dólares (sim, o maldito almoço sul-africano custava quase 30 reais!).
Saímos às 9 do aeroporto com Themba rumo à cidade, o centro financeiro do continente. Johannesburg mais ou menos surgiu do nada no inicio do século passado quando um australiano passava por essas bandas e viu algumas pedras que indicam veios de ouro. A corrida pelo metal continua ate hoje e a paisagem da cidade é tomada por enormes montanhas de dejetos de mina.

Com o ouro apareceram mineiros brancos de tudo quanto é parte do mundo, mas quem realmente fazia (e ainda faz) o trabalho pesado eram os negros.
Assim, também vieram negros de varias regiões da áfrica que precisavam morar fora da cidade, pois não podiam simplesmente viver entre os brancos em Johannesburg (óbvio), e viajavam várias horas por dia para ir trabalhar. Os brancos administradores logo se compadeceram da situação deplorável dos trabalhadores e decidiram construir um subúrbio/enclave alguns quilômetros ao sudoeste de Johannesburg. Este enclave, que deveria ser administrado pelos próprios negros se chama SOWETO ou South Western Townships.

Então a situação em Johannesburg ficou bem simples, a mão-de-obra barata ficaria isolada em um enclave e os negros e indianos encontrados na cidade depois de escurecer seriam presos e teriam de ficar de castigo.
Em 94, com o fim do apartheid, as pessoas antes isoladas poderiam circular livremente por todo o país. Imagine o estrago que milhões de negros paupérrimos não fizeram na cidade ate a população Branca (ou rica) perceber a necessidade de montar um aparato de segurança digno da faixa de gaza para manter-se vivo. De lá para cá a coisa parece ter melhorado bastante e até já é possível dirigir no centro de Johannesburg sem ter o vidro do carro quebrado por viciados em crack.
Soweto hoje certamente não tem mais nada a ver com o favelão étnico de 15 anos atrás. o rico governo sul-africano tem investido milhões em melhoras na infra-estrutura do enclave. Com isso muitas áreas se parecem com subúrbios de classe média-baixa inglês, ou seja, pelo menos decente.
Algumas das coisas que você precisa fazer enquanto na África do Sul, mesmo que seja apenas um dia fruto de uma longa conexão internacional, é conversar com algum nativo e deleitar-se com seu sotaque esquisito. Estou com vontade de voltar lá qualquer dia desses.







Viajaram