Mochilão na Europa semana V – De Lisboa até Paris

Escrito por Bender 24/06/20073 dicas viajantes

No domingo visitei o parque da Expo 98 em Lisboa, agora chamado Parque das Nações. Eu já não esperava muita coisa, chegando lá constatei que maior parte das atrações estava fechada e o que estava aberto era caro. Ironicamente lindo.

No Parque das Nações se encontram duas facetas da Lisboa moderna: o maior aquário da Europa e o maior shopping center da península ibérica. Só não sei qual é qual.

Estação de trem no Parque das Nações

Presenciei espantado na principal via do parque, a Avenida dos Oceanos, o desfile das escolas de samba lisboetas. O seu slogan era “os brasileiros vão morrer de inveja”. Mas eu não fiquei com inveja, portanto deve haver algum defeito no desfile.

Essa carnavalização da antiga metrópole é algo realmente presente. Parece um processo de assimilação cultural. Há notícias até de uma passeata contra o gerúndio também. E tem gente por aqui reclamando da americanização.

Embarquei à noite para Madri num trem noturno lotado. O sujeito ao meu lado fedia tanto que eu só queria chegar no próximo albergue e tomar um banho. Na segunda pela manhã (na verdade 10h, que é quando começa o dia para os espanhóis) fui até o Palácio Real pegar meu

Depois de me entediar com a arte contemporânea fui ate a Plaza de Toros Las Ventas assistir a uma tourada. È sangrenta mas divertida, uma vez na vida tem que se experimentar. O espetáculo de ver uma arena enorme se entulhar de gente em quinze minutos me fez duvidar da capacidade brasileira de construção de estádios.

À noite no albergue um argentino me convenceu a ir dar uma volta para comer algo, acabamos caminhando mais 2 horas ate achar algo comestível (pudera, já era uma da manhã!).

Na terça pela manhã (na verdade tarde, pois perdemos o trem) fui para Toledo com um grupo multinacional (argentinos, brasileiros e um sul-africano surdo). Toledo é uma cidade antiqüíssima e era a capital espanhola até meados do século XVI quando Juscelino Kubitschek (hehehe) transferiu o reino para Madrid, o novo centro geométrico do país.

Toledo é atualmente a capital de Castilla La Mancha, portanto está cheia de motivos quixotescos, armaduras, castelos e muitas outras coisas como uma belíssima catedral gótica e um alcazár, o qual infelizmente estava em reformas e portanto não pudemos visitar.

Temia perder o trem noturno que me levaria de Madrid para Barcelona, assim eu e um outro gaúcho saímos correndo pela cidade para pegar o trem das seis e vinte. Minha asma quase me matou, mas conseguímos. No fim nem precisaria ter corrido, pois havia tempo suficiente de intervalo entre um trem e outro.

Em Barcelona, na quarta pela manhâ visitei o Parc Güell feito por Gaudí para abrigar a nata da sociedade catalã. Como ele nunca conseguiu vender seus lotes, o parque foi doado à cidade e hoje forma um dos mais magníficos espaços públicos europeus.

Lá tudo é fantástico e surreal, seguindo a tendência Gaudinesca (inventei essa palavra) de reinventar as formas. Para Gaudí, arquitetura reta era falta de criatividade.

Após isso, eu fui para o Museu de Picasso, que não é grande coisa. Voltei à estação e tentei descansar antes de embarcar para Paris em outro cruel trem noturno. É claro que não consegui dormir de novo, afinal trens não forma feitos para dormir.

Enquanto o trem se aproximava lentamente da estação, eu ia ficando desesperado, pois eu havia lido no guia de viagem que os poucos albergues bons e baratos de Paris enchem cedo. Desembarquei e saí correndo para ir ao melhor albergue, e é claro que não fui rápido o suficiente e encontrei o já estava lotado. Fui então a um outro que fica entre o cu do mundo e o lugar em que Judas perdeu as botas> Felizmente, o metrô parisiense chegava lá perto.

Depois de fazer o check in eu estava absolutamente podre de cansado e pensei: “vou dar uma volta na cidade para ver como Paris é. Só consegui ficar na rua até ao redor das três, voltei para o albergue, tomei um banho e cheguei à seguinte conclusão: “melhor tirar uma soneca pra depois sair e comer alguma coisa”, merda nenhuma. Apaguei. De tênis e jaqueta. Fui acordar na sexta às nove para o café.

Pela manhã conheci um pessoal no albergue, brasileiros e um canadense. Fomos até o Musee Les Invalides onde Napoleão está enterrado, há também uma exposição enorme de armas e armaduras. Lá perdi minha companhia, Andrés, um canadense de Quebec fluente em francês, coisa deveras útil na Franca.

Les Invalides vale a pena

Para completar a desgraça ainda me perdi, pois queria ir ate o Louvre e acabei chegando no Musee d’Orsay que é muito legal também, e para variar, enorme (não tanto quanto o Louvre). Então voltei pro albergue e participei de uma reunião de brasileiros (éramos mais de vinte e poderíamos até ter jogado futebol).

No sábado fui ao Louvre (gigantesco, imagina o museu e depois multiplique por dois, isto e uma asa do Louvre, e são duas mais o corpo central, no mínimo cinco vezes o Museu del Prado que já é enorme) acompanhado por dois médicos uma catarinense e um paraibano. Vimos a Mona Lisa que não e grande coisa, a Liberdade liderando o Povo, Venus de Milo, Codigo de Hamurabi. Caramba, tanta coisa0 que nem tem graça contar. E sem pegar fila, pois o Louvre tem cinco entradas, mas todos os turistas entram somente pela pirâmide, portanto as outras quatro entradas estão sempre vazias e calmas.

Trocadero, melhor vista para a Torre Eiffel

Na volta passamos pela Champs Elysees, Arch du Triumph, Trocadero (melhor vista da Tour Eiffel) e a própria, claro, Tour Eiffel que não subi naquele dia e fiquei me arrependendo várias semanas até voltar para Paris; depois, Notre Dame e Ille de France. Voltei para o albergue então. Pela noite aprendi um pouco de Francês (contar até dez, eu tu ele nós vós eles, etc, mas já esqueci quase tudo).

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Bender: Jornalista, chato por profissão, fã de Mulher, Cerveja & Futebol.
Categorias: Espanha, Europa, França, Portugal



3 comments

  1. Na carona dos amigos « Viaje na Viagem Pingback:
    01/07/2007 at 12:21 pm #

    [...] europeu: de Milão a Roma, de Roma a Florença, de Florença a Madri, de Madri a Lisboa e de Lisboa a Paris. (A foto aí de baixo é do Parque das Nações, em [...]

  2. Chris Pessoa says:
    03/07/2007 at 7:26 pm #

    As fotos estão lindas.

  3. putzcara (sanguinozóio) Trackback:
    16/06/2010 at 11:53 pm #

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