Mochilão na Europa – semana IX – de Berlim a Copenhague

No domingo me encaminhei para Berlim, a ancestral capital prussiana fundada ainda no final da Idade Média pela fusão de duas cidades (cada uma de um lado do rio Spree).


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O albergue onde me hospedei ficava na antiga parte Oriental de Berlim, perto da monótona Karl Marx Alee no bairro de Kreuzberg. O lugar era legal, tem muita gente interessante e se encontra próximo ao centro(1h30 hora caminhando, o que é pertíssimo em Berlim), mas tinha um pequeno problema. Cinco andares e nenhum elevador.

A primeira vez que se sobe cinco andares com uma mochila de 20 quilos nas costas é inesquecível. Na terceira vez você FAZ QUESTÃO de esquecer.

Tirei o resto do domingão para me ambientar no local e lavar a roupa na "Schnell und Sauber", digo isto só para relembrar as aulas de alemão que tive ainda no primeiro grau. Schnell é rápido, Sauber é limpo.

Na segunda fui até o consulado tcheco tentar um visto para visitar Praga, um lugar só ouço falar maravilhosamente bem. Dizem que lá tem muita cerveja barata, mulheres bonitas e comida boa.

O consulado, no entanto fechava às 11:00 da manhã e quando liguei para lá pela manhã, a pessoa que atendeu só falava tcheco, nem alemão o desgramido arranhava!

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Depois fui até a avenida "central" de Berlim, a tal Unter den Linden e o Branderburger Tor (ou Porta de Brandemburgo no vernáculo). Dizer centro de Berlim é pura forma de expressão, porque simplesmente não há centro de cidade por lá. Certamente este é o legado de 40 anos de separação por um muro horroroso.

Dali fui até o centro da antiga Berlim Ocidental à pé, próximo à Estação de trem Zoologisher Garten (onde parte a linha de metro U2 que vai até o leste, tire suas conclusões). Chegando lá me lembrei que se encontra em Berlim o maior museu de arte erótica do mundo, tive que dar uma olhada é claro…

Na terça fui de novo na embaixada tcheca e desisti do visto quando descobri que demorava uma semana para tirá-lo e eu não estava a fim de ficar até a outra terça em Berlim.

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Depois fui até o museu arqueológico alemão, onde estão em exposição boa parte do acervo arqueológico do Ocidente e então segui para o Tiergarten, que é uma das maiores áreas verdes urbanas do mundo. Aparentemente toda cidade grande exalta suas duas ou três áreas verdes como se fosse o auge do urbanismo.

Na quarta-feira visitei as ruínas do quartel general da Gestapo, o lugar onde os nazistas torturavam, matavam e aprontavam as maiores confusões.

De lá fui seguindo o muro ate onde podia. Em alguns lugares ele está mais destruído do que a BR 101. Um trecho em especial está bastante pichado. Infelizmente, os grafiteiros modernos não são tão rebeldes quanto a galera dos anos 80, que produziu verdadeiras obras-de-arte no muro.

Eu e o muro, um caso de amor

Na quinta fui até Potsdam, que é a antiga cidade imperial dos reis da Prússia e imperadores da Alemanha. Há uns 15 castelos e todos num enorme parque (onde não agüentava mais caminhar).

Para completar, eu consegui a façanha de pegar o trem errado para ir até o parque e acabei descendo numa estação tomada pelo mato, no meio do nada. Horrorizado com a total falta de civilização daquelas criaturas imóveis fotossintéticas, logo peguei o primeiro trem de volta à civilização.

À noite descobri que havia um festival de música na cidade devido ao solstício de verão. Era o "Fête de la Musique", uma coisa de francês que anda se espalhando até no Brasil.

Dei uma volta na cidade com dois americanos, um dos quais imigrante mexicano com o qual aproveitei para treinar o meu castelhano. Infelizmente, os babacas aqui (eu e os outros) não sabíamos a programação de antemão e chegamos no final de uma rave numa praça minúscula cheia de pó. putz que droga, logo eu que adoooooro raves…

Foram muitos erros num dia só, ainda mais se somar o fato de eu ter quase perdido a minha cama no quinto andar do albergue por não a ter reservado.

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Na sexta fui para Copenhagen, era midsummer (metade do verão, solstício, o dia mais longo do ano quando quase não há noite na Dinamarca) e eles estavam comemorando a queima de bruxas na Idade media. Ú tererê. Dizem que na Noruega a festa é mais divertida.

No albergue aconteceram duas coisas que eu não esperava, a primeira foi uma simpática norte-americana que me deu um livro do Stephen King. E a segunda foi eu ter encontrado um grupo de brasileiros que trabalhavam na Expo 2000 e estavam por lá para conhecer a Dinamarca. Já fazia tempo que eu não falava português, e voltar à língua pátria foi deveras agradável.

No sábado fui ao museu nacional de Copenhaguen, que conta toda a história da cidade e de quebra da Escandinávia. Depois comecei a caminhar pela cidade, fui até Kristiania um território livre, onde tudo e permitido e a policia não entra.

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Sim, lá se vendia drogas. Não, não comprei um bolo de maconha ultra-mega-power-dope e fiquei bochado o resto do dia. De lá fui ver a pequena sereia de H.C. Andersen, que não tem graça nenhuma e seu bronze deveria ser usado para a confecção de troféus de campeonatos de futebol de botão.

Em nem um pouco breve teremos a última parte desta fantástica aventura. Stay tuned!

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Daniel Bender

Jornalista, chato por profissão.

3 Comments

  1. Lucia Malla

    Puxa, Bender, as coisas pioraram bem em 3 anos, então. Pq eu tirei meu visto para Rep. Checa em Berlin tbm, e saiu na mesma hora. Bastou ir ao consulado com os documentos. Nem fila tinha.

  2. Lucia Malla

    Eu sei. E eu mochilei lá em 1997. :)

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