Mochilão na Europa - semana VIII – de Lauterbrunnen a Weimar
Mochilão January 20th, 2008
Escrito por Daniel Bender, visite seu site
No domingo me despedi dos amigos e segui para Lauterbrunen, um estação de esqui incrustada nos Alpes Suíços. Como era verão, é óbvio que não haviam esquiadores por lá, apenas gente caminhando por todos os lados em trilhas de asfalto com sinalização e vacas com sinos por todos os lados. Sim, a cidade parecia uma embalagem de milka, mas sem aquela cor rosa de banheiro de rodoviária.
Na verdade a melhor parte de Lauterbrunnen acredito que tenha sido a viagem de trem até lá, pois este passa por diversos cânions e precipícios com vistas maravilhosas de lagos de água azul cristalina. Por lá, a vida anda bem devagar, mas como é na Suíça a cidade também é cara, e isto quer dizer pouca comida de novo. Ú tererê, dieta forçada na Europa!
Na segunda eu fui para Zurique, a maior cidade do país com uma população tão grande quanto a de Caxias do Sul. Uma verdadeira metrópole neste país tão pouco concentrado demograficamente.
Zurique parece ter sido deixada de lado pelo tempo, pois as construções todas parecem ter saído de um conto de fadas do século dezessete. Esta singularidade se explica pela histórica neutralidade da Suíça, que há mais de setecentos anos não participa politicamente de guerras. Só aluga soldados para quem pagar mais, como Vaticano.
A riqueza da cidade também pode ser explicada por esta neutralidade, com ela gerou-se um ambiente incrivelmente seguro estimulando a fama de país estável, bom para guardar dinheiro sujo de nazistas, traficantes colombianos e governantes cleptomaníacos africanos.
Depois de chegar ainda fui até o Museu Nacional do Cantão com dois estudantes de arquitetura norte-americanos, mas o museu infelizmente estava fechado, pois era segunda-feira.
Deu para conhecer, no entanto boa parte das pontes da cidade e um parquezinho que eles chamaram de arboretum. Lá se encontravam várias pessoas fumando maconha livremente, e depois vim a descobrir que a maconha ali também é liberada como na Holanda. Talvez isso explique porque o IDH da Suíça é tão alto, mas provavelmente não explica nada.
Na terça acordei com um apetite devastador, principalmente porque não jantei nada na noite seguinte. Eu que não ia pagar R$ 15 por APENAS uma maldita salsicha numa barraquinha de lanche.
Fui direto a um supermercado e comprei muita comida. Sério, um monte mesmo. Depois de convidar os dois americanos para um Breakfeast (mistura de café com banquete segundo minha opinião).
O café da manhã consistiu basicamente de dois pacotes de massa, molho de tomate, manteiga, queijo ralado e 300g de coração de ovelha. Os caras tavam comendo tranqüilo até que perguntaram que carne era.”Lamb´s heart” eu disse e eles colocaram os pratos de lado. Eles pagaram sua parte, portanto azar o deles.
Fomos novamente até o museu, que desta vez estava aberto e nos contou toda a história do país, ou melhor, da confederação. A Suíça, na verdade, é um coletivo de 21 cidades independentes com um parlamento em comum que se reúne três vezes por ano em Berna.

Depois fui até um internet café só para descobrir que o limite do meu cartão de crédito havia chego e sido estourado. Não tinha jeito, aqueles preços e cartão de estudante não combinam.
Na quarta feira fui para Munique, na Alemanha, onde me alojei na "Tenda". Um lugar místico em que todos dormem no chão e uns poucos gastadores ficam em camas sem travesseiros (eu me incluo na segunda categoria, pois por 4 marcos a mais (R$ 4) não ia estragar minhas noites de sono). Dias depois de chegar me perguntaram “tem camas?”. Aparentemente alguns visitantes da tenda chegavam lá achando que sua unia opção de estadia era o chão.
Lá visitei o maior Biergarten do mundo onde fui obrigado a quebrar meus votos de abstemia e tomar um caneco de chope. Evidente que eu fiquei bêbado e com vontade de mijar. Para me aliviar fiz o que qualquer um faria e me aliviei numa lindíssima cerca viva. Nesta hora nem senti muita falta do Brasil.
A noite na tenda era muito divertida, pois parecia um filme dos anos sessenta onde todos ficam em volta de uma fogueira fumando maconha, tomando cerveja e conversando em diversas línguas. O pessoal era tão descolado que ninguém conseguia se sentir sozinho, era só e chegar e começar a conversar.
Na quinta conheci o centro da cidade, rigorosamente reconstruído após a guerra, que é magnífico por sinal. Lá estão o jardim inglês, o Schloss Nymphenburger e o parlamento bávaro.
Na sexta fui para Dachau que abriga uma das heranças mais odiadas da Segunda Guerra, um campo de concentração. É muito triste ver até que ponto chega a miséria humana, mas estava lá eu em um dos pavilhões que serviram para destruir a vida de muita gente inocente.
No sábado fui para Weimar, o lar de muitos pensadores alemães. Entre eles Nietzche, Goethe e Schinker (também não sei quem é esse). Weimar tem uma história interessante. Antes da unificação alemã o rei da Prússia, a maior e mais poderosa nação alemã detestava sua cultura e sua língua. Já a cidade de Weimar era governada por uma condessa de idéias mais sofisticadas e decidiu fazer ali o que os Venezianos fizeram na Itália: incentivou a produção cultural. A tradição alemã deve grande parte de sua herança cultural à esta cidadezinha.
Weimar foi também a capital da cultura européia em 1999, e isto significa restauração. Lá há prédios antigos e ruas obscuras, duas coisas bastante raras de se encontrar em outras cidades alemãs. Também tem bastante cerveja, esta bem comum.
Durante minha estada por lá eu tive o desprazer de assistir a um dos clássicos mais clássicos da Europa, Alemanha X Inglaterra pela Eurocopa da Holanda/Bélgica. Foi um dos piores jogos que já vi na vida.
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