Ana Waksberg Guerrini mora na bela Barcelona, Espanha. E conta para os leitores do Goitacá o que há de melhor na cidade. Mais uma da série “Goitacá Entrevista”.
Lugares que não pode deixar de ir

Não dá pra deixar de passar pelo Templo Expiatório da Sagrada Família e pelo Parc Güell, obras de Gaudí. O Parc Güell, na parte norte do bairro de Gràcia, é imperdível por no mínimo dois motivos: a arquitetura em si, que se mescla organicamente à natureza ao seu redor, e a vista magnífica da cidade que se tem da praça oval principal.

A Sagrada Família é provavelmente a obra mais impressionante de Gaudí, um tanto quanto hiponotizante, e a mais conhecida. Foi iniciada em 1882 e ainda está em construção! Na verdade essa é parte da graça da visita… Se for estudante, não esquecer da carteirinha interacional pois dá desconto.
Comida ou bebida que precisa experimentar

Ir ao Can Paixano no bairro da Barceloneta, conhecido simplesmente como Xampanyeria, para comer um entrepan (sanduíche) de queijo, ou butifarra (lingüiça local) para os carnívoros, e encher a cara de cava, o champanhe catalão. O lugar é pequeno, pitoresco, sempre apinhado de gente, mas vale muito à pena ir e sair de lá meio tropeçando depois de algumas garrafas de cava bom e barato!

Outros dois programas deliciosos: comer uma paella no Can Manel la Puda, uma instituição da Barceloneta que existe desde 1870 – restaurante muito bom e, importante, amigo do bolso – e comer frutas “exóticas” ou tomar um suco no mercado municipal da Boqueria, saindo das Ramblas.
Show ou espetáculo que precisa curtir

Barcelona não é lugar pra ver flamenco – melhor ir diretamente para a Andalucia ou mesmo Madri. A cidade tem uma vida noturna agitada e alguns casas noturnas que sempre recebem os melhores DJs, como o Razzmatazz e suas cinco salas, localizado em uma antiga fábrica no bairro do Poblenou, ou a Sala Apolo, no bairro do Poble Sec.

Além da vida noturna, Barcelona é anfitriã de muitos festivais importantes na temporada primavera-verão, como o Sónar, festival de música eletrônica e arte multimedia, e o Primavera Sound, festival de eletrônica e indie rock.

Para quem não curte muito música eletrônica, há o Festival Grec de música e teatro, também no verão, e sempre vale dar uma olhada na programação do Teatro Nacional de Catalunya, do Gran Teatre Liceu, onde já cantaram Montserrat Caballé e Josep Carreras, e o Palau de la Música Catalana, cuja arquitetura art nouveau de Lluis Domenèch i Montaner já vale a entrada.
Museus que não pode perder

Barcelona é um museu modernista ao ar livre, onde encontramos no meio da Rambla do Raval o Gato de Botero.

Além dos edíficios-museus construídos por Gaudì – Casa Batlló e La Pedrera – e da Fundação Joan Miró, um museu imperdível é o MACBA, o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona. Menos pelas obras que abriga, e mais por sua arquitetura e pelo ambiente cool cheio skatistas e barzinhos ao seu redor.

Passeio que precisa fazer

Se você pouco tempo, ver a cidade do topo do castelo do Montjüic. Montjüic – que significa Monte Judeu, por ter existido ali um cemitério judeu na Idade Média – é um grande parque em uma montanhazinha, ao lado do charmoso bairro de Poble Sec. É possível ir caminhando até o topo, mas também pode-se subir através de uma combinação metrô (estação Paral.lel)-funicular-teleférico.

Lá, além da vista fantástica da cidade, pode-se caminhar, passar pelo Estádio Olímpico de 1992, fazer piquenique, e entrar em alguns museus fantásticos, como a Fundação Joan Miró.

Se há tempo de sobra, uma dica é fazer bate-volta até Figueres, cidade onde nasceu Salvador Dalí. Pire umas boas horas dentro do Teatre-Museo Dalí, uma construção em si já bastante surrealista. É possível ir e voltar pra Barcelona no mesmo dia de trem.
Bairro, rua ou região que melhor representa o que há de melhor na cidade

Passear nas ruas de Gràcia à noite, o bairro boêmio da cidade. A Vila de Gràcia foi anexada à Barcelona somente no final do século XIX, por isso os “gracianos” tem uma identidade própria e sentem como se vivessem em um distrito independente. O bairro é uma graça (mesmo!), cheio de bares, restaurantes e lojinhas interessantes. Além do ponto turístico super-star, o Parc Güell, há cinemas e teatros alternativos, como o Verdi, que passa filmes em versão original (um pouco raro em Barcelona, na Espanha e na Europa em geral) e o Teatre Lliure. As ruas têm nomes que refletem o jeitão boêmio do bairro, como “Liberdade”, “Fraternidade”, “Igualdade”, “John Lennon”, e “Plaza del Sol”, onde se pode tomar uma canya nas mesinhas do lado de fora e curtir músicos amadores tocando seus violões.

Pra quem estiver em Barcelona em agosto, as Festas de Gràcia são um grande acontecimento não só no bairro, como na cidade e na província inteira – não percam os Castellers de la Vila de Gràcia, basicamente uma montanha humana!
A roubada em que todo mundo cai e como evitar

Comer nos restaurantes das Ramblas! As Ramblas são na verdade o longo caminho peatonal que liga o ponto principal de Barcelona, a Plaza Catalunya, à estátua de Colón (Colombo), que fica quase no Porto. Ao longo das Ramblas, há estátuas humanas, vendedores de flores, quadros, e muitos restaurantes com mesas do lado de fora. A vista pode ser interessante, mas a comida é invariavelmente cara e de péssima qualidade. Se quiser apreciar a visa, sente e tome uma cerveja gelada!
Melhor meio de transporte para quem quer aproveitar a cidade
Metrô, ônibus e a pé. Não paguem pelo ônibus turístico porque simplesmente não vale à pena. O bilhete T-10 vale para 10 viagens em ônibus, metrô, tram e trem. Um bilhete T-10 para a zona 1 (que é suficiente para fazer turismo na cidade) custa 7,70 euros e pode ser usado por mais de uma pessoa. Além disso, Barcelona é uma cidade relativamente pequena, super bem servida de metrô, e caminha-se facilmente entre os pontos turísticos principais.
Melhor época para visitar e quando evitar
As melhores épocas para aproveitar a cidade são maio-junho, quando já está quente, mas não a ponto de incomodar, e setembro-outubro, quando a temperatura também é amena e as folhas começam a cair e enfeitar a cidade.
Com certeza a época a se evitar é o auge do verão – julho e agosto. Barcelona é uma cidade cheia de turistas o ano inteiro, mas em julho, além do clima muitas vezes ficar insuportavelmente quente e úmido, os europeus de países mais frios (praticamente todos!) passam fins de semana na cidade, invadem as praias, e bebem muito pelas ruas (o que não é permitido). Já em agosto a cidade está mais calma, já que os que vivem aqui viajam para lugares com clima mais fresco, como os Pirineus. O problema é que muitos estabelecimentos comerciais fecham, assim como há menos eventos e atividades de modo geral, com a grande exceção das Festas de Gràcia.







Viajaram