
Uma das obras mais famosas do Renascimento cultural italiano é a Capela Sistina, afrescos pintados por Michelangelo, dentro do Vaticano, o pequeno país católico dentro de Roma. Pode ser um tanto estranho misturar religião e tecnologia, mas a melhor opção para visitar seus museus é comprar os ingressos pela internet.
Mas a fila em volta do Vaticano dobrava a esquina, toda aquela gente (que não comprou pela internet) pacientemente esperava para entrar no Museu do Vaticano e ver a Capela Sistina. Você esperaria? Eu confesso que iria desistir sem olhar para trás. Lá dentro, a situação é ainda pior. Todo esse conjunto museológico, com obras interessantíssimas e belíssimas, foi transformado em um grande corredor para a Capela Sistina, sub-valorizando de quadros de Chagall a belos afrescos e tapeçarias.
A cada três salas, uma plaquinha indica a direção da Capela de Michelangelo. Como em peregrinação, as pessoas se espremiam em portas e corredores, todas apressadas para chegar ao destino final. Era doentio. Aquele turismo religioso e pseudo-religioso era de dar nojo. Para completar, vários e vários turistas sem o menor senso do ridículo empurravam bebês em carrinhos, por todo o percurso. O Vaticano fez da Capela Sistina um negócio bem lucrativo.
O ar era abafado, mas se alguém desmaiasse, por onde sair? Se algum pânico geral acontecesse, por um motivo qualquer, quantas pessoas seriam pisoteadas?
Duas horas de calvário depois, chega-se à Capela Sistina e o cenário é de fim de mundo. Como uma casinha de pombos, as pessoas se amontoavam, umas em cima das outras. Elas olhavam para cima sem ver, falando alto e tirando fotos sem respeitar o fato de que ali era uma capela. Eu já esperava isso dos turistas, mas não dessa forma. O triste é que se eles realmente parassem para observar o alvo de suas fotos, eles iam se decepcionar.

Pessoal admirando os afrescos no teto da Capela
Todas aquelas imagens que estamos habituados a ver nos livros de arte são mesmo lindas. Porém, elas são muito pequenas. O teto é alto, e enxergar tudo aquilo é muito difícil. Os famosos dedinhos que quase se encostam, são apenas parte de um todo, como vocês podem ver, ou não, na foto. Com a multidão, contemplar se torna um ato ainda mais complicado. Muitas galerias aqui pedem para que você compre antes e marque hora, pois apenas um determinado número de pessoas pode entrar ao mesmo tempo. Porque o Vaticano não faz o mesmo e valoriza suas obras?
Assim como chegar até ali, sair era como comprar na Etna: não adianta pegar o que quiser e sair, é necessário passar pela loja inteira para chegar ao caixa.
Fé? Não comprei – e não vi nas prateleiras. Aquilo ali só me trouxe descrença. E muito mau humor.
Veja mais fotos da Capela Sistina aqui.
Imagem: Sistine Chapel – Vatican City, por féileacán, no Flickr em CC








Porra, acho que qualquer um tem o direito de ser descrente, ateu ou o que for, mas é o cúmulo do ridículo essa repulsa excessiva pra cima de qualquer crença. Isso é semelhante ao fanatismo religioso, que tanto criticam.
Não perdem a oportunidade de falar absurdos como “estranho misturar religião com tecnologia”, bah, parece que vive em outro mundo.
E se tudo aquilo ali tem que se manter, tem um custo pra isso. Aí vem falar de lucro, arrecadação… bah.
Será que é impossível apreciar a arte de uma ideologia diferente sendo imparcial, sem externar suas convicções pessoais?
Caro “Bom Senso”,
minha repulsa não é pela crença, e sim pela discrença que vi por lá. Os turistas não respeitavam a Capela, as obras de artes e nem os outros turistas, empurrando os outros sem educação, com pressa para tirar fotos.
A arte que, com dificuldade, eu parei pra ver, eu apreciei e muito. Aliás, gostaria de ter conseguido observar mais. Não tenho problemas contra a crença, mas sim com a instituição, que cobra caro pela entrada, e oferece um passeio em péssimas condições, desrespeitando aqueles que podem ter passado uma vida inteira almejando conhecer o Vaticano.
Quanto tecnologia e religião, você tem razão. Mas talvez aquilo que é “comum” para você, é algo novo para mim, ao qual eu não vejo todo dia, e logo, é estranho.
De resto, se você estiver à procura de textos imparciais, é melhor procurar um guia. Te indico os da Publifolha, que são ótimos. Já o interessante à respeito de impressões de viagem, eu acho, é ver o lugar pelos olhos do outro.
Seja imparcial, então, em relação a quem digitou o texto que você acabou de ler. Deixe quem quiser ser descrente ao seu modo… não há um manual.
O nome disso é hipocrisia sua, não uma crítica! ^^
O texto está ótimo sim e eu acredito que críticas construtivas e discordância podem andar juntas.
E eu termino com uma frase sua: “Será que é impossível apreciar a arte de uma ideologia diferente sendo imparcial, sem externar suas convicções pessoais?”
Lucro e fé andam juntos e não há nada de mal nisso, o problema é o arolho característico da Capela Sistina. Tem dias q parece pior q jogo do Curintia.
Olha, eu também conheci essa capela magnifica, e concordo que o “resto” do museu acaba sendo esquecido pela maioria, mas convenhamos, Michelangelo merece …
Sobre a educação dos visitantes, também sou a favor de abolir carrinhos de bebê em museus, mas é uma medida complicada, convenhamos.
Só não concordo com o tema da crença dos visitantes, mesmo porque você não precisa ser católico para visitar o museu. Vide os milhares de chineses parasitas circulando por qualquer ponto turístico em Roma (pra nao mencionar a Europa como um todo)
Todos querem ver Michelangelo, a Capela Sistina é o principal ponto turistico do Vaticano. Por causa disso, deveria sim ser mais organizada. Mas como o Cristo Redentor, entre outros pontos espalhados pelo mundo não há uma organização condizente.
Não conheço a capela sistina, mas tem detector de metais? Um atentado ali é viável?
Locais sagrados e muito frequentados merecem uma melhor organização, principalmente no “Primeiro Mundo”.
Qto a Capela ser uma igreja, e recriminar a ida de carrinhos de bebê, acho exagerado, pq em igrejas normais vemos isso com freqüencia. Crianças devem ser levadas à igreja desde pequenas. O que deveria ter é restrições em certos horários. E uns binóculos para ver o toque das mãos? não seria uma boa idéia? 1 euro a olhada? já pagaria a equipe de fiscalização.
Saídas de emergência deveriam ter tb. Todo local de grande circulação tem que ter isso.
Qto à crença dos visitantes, acho que todos tem o direito de ir e vir e ver o que quiserem.
Em nome do Pai, do Filho e do Michelangelo, Amém.
[...] O Calvário da Capela Sistina, do Goitacá, vira alvo de crentes nos comentários. [...]
Moro na Italia ha dois anos e ja fui diversas vezes em Roma, mas ainda nao tive coragem de entrar e conhecer a Cappela Sistina e nao è por falta de vontade nao! Primeiro a fila pra entrar me desanima, fico imaginando toda aquela gente la dentro e o cenario que vem a minha mente, è exatamente como descreveu o autor do texto acima. E segundo, acho que nao adianta visitar a Cappela Sistina, sem ter estudado pelos menos as obras mais importantes. è perder viagem…. voce nao vai conseguir entender o que o Mestre Michealangelo quis mostrar pro mundo. Acredito que a maioria das pessoas nunca pegou pra ler a historia da construçao da cappela, o que significa cada afresco.
A poucos dias estive em Roma e tive a felicidade de conhecer a capela sistina. Além da falta de estrutura neste local, há o desrespeito do “ser humano” É um local a ser contemplado e era proibido tirar fotos. O que se via!! Multidões aglomeradas tirando fotos com ou sem flash. Concordo que é um momento para ser registrado, mas convenhamos….
Não vi nenhum fiscal ou guia local orientando ou controlando a multidão como havia por exemplo no túmulo do Papa João Paulo II.
A Capela Sistina, e praticamente todo o complexo do Vaticano estao longe de serem apenas igrejas. A quantidade de gente ali, todos os dias do ano, impedem. Multidao é sempre irracional, e sim, a metáfora mais parecida àquilo que há ali é um jogo do Curíntia.
Quando eu fui, tive que comprar a visita guiada, porque nao dava pra encarar a fila, nem dava para perder. É absurda a quantidade de beleza que há ali, desde a entreda pelo Museu Vaticano, as obras de artes muito mais antigas que o cristianismo que estao lá, e Michelangelo e Bernini. Entendi a definiçao de um amigo meu, que “ali, é tao bonito que dá até vontade de acreditar em alguma coisa”.
Achei horrivel a quantidade de pessoas que queriam tirar uma foto de baixa qualidade daquelas imagens a 40 metros do chao (sim, é impossível tirar uma foto decente, mais vale comprar um postal). Acho horrível a quantidade de pessoas incapazes de entender o que há ali, o que significam os quadros, o porquê de serem tao valiosos.
Enfim, acho que vale a pena visitar o Vaticano se você tem fé, seja na religiao ou na arte. Mas detesto todo mundo que vai lá só pra ver, sem saber o que está vendo. Infelizmente, estes sao maioria.