Quando viajamos para Roma, já sabemos de cor os programas que nos esperam; mas o encontro com os monumentos não deixa de ser sempre surpreendente. E o Coliseu é um excelente exemplo: basta subir as escadas para sair do metrô e lá está ele, como se não fosse um monumental paradoxo pegar um meio de transporte moderno e parar em algum lugar do passado.
Mas depois de passar 20 minutos olhando para cima, admirando a construção, os turistas se deparam com uma longa fila de turistas. Não se desanima: ali ao lado, no Palatino, praticamente não há filas para comprar o ingresso ou o Roma Pass, que custa 25 euros e dá direito à entrada para Coliseu e Palatino, 3 dias de passe livre de metrô e ônibus e meia entrada a outros museus.
O mais curioso é que, em outros tempos, os romanos não passavam pelo mesmo drama: para assistir às lutas dos gladiadores havia um sistema de ingressos de madeira que possibilitava que 70 mil pessoas entrassem e saíssem rapidamente. Passados mais de dois mil anos, será que desenvolvemos muito? O Coliseu dá a impressão que não. Arquitetonicamente falando, construímos algo superior ao Coliseu (e ele foi construído em quatro anos)? Sem falar que os imperadores tinham bom gosto, e construíam uma cidade em que tudo era perto, prático e funcional (é triste perceber que nós ainda cometemos erros como Brasília, em que tudo é longe e nada funcional).
Quanto ao Coliseu, a visita vale a pena e suas grandes arcadas têm uma vista única para o Foro Romano. Hoje, onde se vê apenas um labirinto de corredores em sua arena, ficava um piso de madeira coberto de lona e areia, que no verão era inundado para jogos aquáticos. A construção, apesar de estar em ruínas, continua bela e imponente (depois que o império romano entrou em declínio, o Coliseu foi usado como fortaleza, na Idade Média, e mais tarde, como fonte de material de construção para os palácios de Roma). Como se tudo isso não bastasse, é impressionante estar em um lugar construído em 72D.C.




