El Escorial – O centro do mundo – Madri

Em 10 de agosto de 1557, Felipe II da Espanha derrotou Henri II da França na batalha de San Quintín, e para celebrar, construiu um palácio. Provavelmente também tomou uma cervejinha com os mais chegados, mas isso não entrou para a história. A 45 quilômetros de Madrid, é ideal para um passeio de um dia.

Alex Tarrask

Construído por dois arquitetos, é considerado o maior exemplo do estilo herreriano, de Juan de Herrera, o arquiteto que projetou meia Madrid naqueles idos tempos do século XVI.

foto por Alex Tarrask

Ao redor do Monastério, que foi sendo apliado progressivamente, com os jardins que foram construídos depois, as casas para os Príncipes e por fim, cresceu uma cidadezinha de poucos habitantes, com alguns restaurantes típicos e o microclima da serra de Guadarrama, bastante mais frio que a calorenta Madri.

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A construção é um pouco megalomaníaca, faraônica mesmo. Felipe II era, na época, o homem mais poderoso do mundo, tinha na cabeça a coroa do império que o sol nunca se punha (até perder esse posto para a Inglaterra, a Espanha era o país com mais colônias e terras no mundo, sendo Rei da España, de Portugal, governador dos Países Baixos, Rei de Nápoles, Duque de Milão, Borgonha e Brabante, Arquiduque da Áustria, e enquanto esteve casado com Maria da Inglaterra, também portou a coroa britânica. Só faltava a França para conquistar os 24 territórios e acabar o jogo). O palácio é quase perfeito para ser defendido, por estar alto na serra, e só ter um caminho de acesso. Qualquer exército teria que passar antes por Madri para chegar no Escorial, e naquela época, ninguém no mundo seria capaz de fazer isso. Reza a lenda que, pouco antes de morrer, Felipe II voltou ao Escorial, e a viagem durou quase uma semana em liteira, porque o rei não aguentava muito movimento.

foto por Alex Tarrask

O Monastério foi construído segundo a descrição do historiador romano Flavio Josefo do Templo de Salomão, e continha também no edifício basílica, convento, colégio, biblioteca, palácio e o panteão real onde seriam enterrados todos os reis da Espanha desde Carlos V até os pais do atual rei Juan Carlos I. Ou seja, o Felipe fez um lugar pra enterrar o pai. Freud explica.

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Felipe II foi o maior imperador católico da história. Extremamente religioso, o edifício é administrado até hoje pela Igreja, atualmente pelos monges agostinhos, que ainda rezam missa, e alguns vivem dentro do claustro, incomunicáveis. A estrutura e a mensagem que passa a arquitetura do prédio é mais ou menos: “Deus é grande, e os Áustrias (a família de Felipe) são os escolhidos Dele para mandar neste mundo.” Os Áustrias, e seus sucessores, os Bourbons, atualmente passaram desta para melhor, mas os corpos ficaram guardados no Monastério.

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Aqui, na cripta, estão enterrados quase todos os reis da Espanha das dinastias de Áustria e Bourbon, desde Carlos V até o pai do atual rei. Em cada túmulo, há uma caixa de chumbo com os ossos (eles só são colocados aí depois de 50 anos, e antes disso, ficam num lugar chamado Pudridero, apodrecendo. Estão aí somente os reis e os consortes que foram pais de reis. As rainhas que não tiveram filhos reinantes estão, junto com os príncipes mortos e os parentes, no Panteón de los Infantes. As vagas acabaram, e agora, D. Juan Carlos & companhia terão que buscar outro lugar para descansar para sempre.

Além disso, há a fantástica Biblioteca do Monastério, com livros, iluminuras, mapas e possivelmente toda a informação que o dinheiro da época pudesse comprar.

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A coleção de arte do palácio também é fantástica, com quadros e tapeçarias de Bosch e de outros mestres da pintura italiana renascentista

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Ou seja, como os faraós e os césares, Felipe II criou, ao lado de Madri, um lugar para mostrar que, na verdade queria mesmo era ser Deus. E tudo isso por causa de uma batalha contra a França.

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tarrask

Expatriado brasileiro, morando há 5 anos na Espanha, primeiro em Madri e agora em Barcelona. Viciado em fotografia, música, história e mudar de vida.

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