Na Espanha, e principalmente em Madrid, a noite sempre acaba cedo. Apesar da fama de festeiros, aqui os bares têm hora para fechar (3pm) e as discotecas também (6pm). E isso é sempre cumprido estritamente, então, não é comum uma confusão generalizada nas ruas à noite.
Mas toda regra tem exceção.
Ontem, aconteceu a Noche en Blanco, um evento que acontece em várias capitais da Europa, durante um mês, acompanhando a lua (Riga, 25/8, Roma, 8/9, Madrid, 22/9, Bruxelas, 29/9 e Paris, 6/10). Aqui, coincidiu com o fim do verão, então a cidade inteira para, à noite, para ver instalações e obras artísticas das mais variadas possíveis. Ninguém dorme, desde que começa, ao anoitecer às 10 da noite, até o outro dia de manhã (bem, na verdade, eu dormi, culpa do pessoal que preferia estar dentro de um bar normal que sair se aventurando pela rua).

A noite é patrocinada pelo governo, e organizada. A quantidade de gente, negócios, turistas termina compensando, e por isso eles tem que preparar bem a estrutura. Na página da Noche en Blanco, em flyers distribuídos e em centenas de reportagens na imprensa, o povo se informava para escolher em que zonas da cidade iria andar, e quais apresentações queria ver.
Era impossível saber tudo que estava acontecendo em todos os lugares, e até o transporte era meio complicado. O ideal era andar e sair tropeçando com 366 cadeiras colocadas para simbolizar os dias de um ano bissexto ou com um edifício que pisca suas 400 janelas coloridas a cada certo tempo. Saí com uns amigos, aleatoriamente, num turismo intuitivo suicida, buscando ver coisas surreais. Descrevo vagamente as coisas das quais fui testemunha.

Clica pra ver um filme de lado do prédio brilhando. Desculpem, mas o filme está de lado. Inclinem o monitor, ou a cabeça, sei lá. E aprendam a não sair à noite dispostos a escrever um post cheio de álcool na cabeça, que às vezes acontecem erros que você só descobre depois e se arrepende amargamente de causar torcicolo em leitores desconhecidos.
As apresentações artísticas eram desde arte tradicional até as coisas mais surreais, cults, mudernas, ou como vocês quiserem chamar. Vi um concerto de Ojete Calor, dois caras travestidos que cantavam sobre uma base sampleada por um senhor esquisito músicas cheias de piadinhas e trocadilhos.

Tá, não sacou ainda a surrealidade?
Olha direito.

O DJ.
Este senhor, que sua família deve conhecê-lo com o bonachão tio Pancho, com camisa pólo da Lacoste e sapato marrom sem meia, botava a maquinaria para funcionar, mandava brasa no som, detonava nas pistas, err, vocês entenderam…
Vídeo para a apresentação de 060, o megahit do Ojete Calor. Não me responsabilizo por sanidade mental perdida, ok?
Abrindo o show desses caras, um cara fazia música com um GameBoy, enquanto outro filmava com outro GameBoy.

Depois destas duas psicodélicas viagens, com a ajuda do Super-Man, continuamos a peregrinação pela noite. No Cine Capitol, os passantes eram convidados a descer de uma limosine, subir no tapete vermelho e tirar uma foto, como se fossem a Nicole Kidman. Genial seria ter conseguido uma roupa de pato e feito alguém pagar o mico de se disfarçar de Björk, mas a idéia veio muito tarde.

Enfim, arte para todo gosto, todo tipo, festa e gente na rua. Um carnaval organizado, meio pasteurizado, e que todo mundo se diverte, mas quem se fantasia mesmo é o tio Pancho, que paga uma de DJ e termina a festa se agarrando com uma modernete.







Que loucura esta Noche em Blanco! O povo fica todo doidão!!! hehehe…
Ps.: Não se preocupe, a gente melhora com a prática.
hahahahaha
muito bom!
Gostaria de lá ter estado
Boa descrição Parabens