Mochilão na Europa Semana II – de Roma a Florença

Escrito por Bender 03/06/20071 dica viajante

Domingo fui até o Vaticano para visitar o museu de graça, é claro. Último domingo do mês é sempre de graça e cheio de gente. Eu fui esperto e cheguei 45 minutos antes de abrirem as portas, aí só tive de esperar mais 45 minutos. É muito bonito lá, cheio de obras históricas e estátuas de santos capados por algum princípio religioso estúpido que nega a genitália humana.

Depois fui no Castelo San Angelo que é onde os papas guardavam o tesouro da igreja, muito legal também e tem uma vista muito impressionante principalmente por estar ao lado do Tibre. Voltei ao Albergue esgotado até o ultimo fio de cabelo, pois caminhei o dia inteiro, e era tudo muito longe. Naquela época eu era meio avesso a transporte público. À noite ficamos, eu com Xavier e Vinícius (mexicano e gaúcho, respectivamente) na cozinha do albergue conversando com todo o mundo que lá se encontrava. Acabei decidindo que na terça partiria com dois canadenses para Nápoles.

Na Segunda, 1.º de maio teve uma “manifestação comunista”(segundo canadenses) no centro de Roma e nós três participamos, claro. Nos juntamos à um grupo que protestava contra a invasão da Iugoslávia e outras baboseiras que nós não conseguíamos repetir nem entender. Italiano é fogo. Evidente que tiramos muitas fotos. Acho que eu até apareci na TV em algum lugar, pois um cameraman me filmou usando a camisa do time do Berlusconi, o Milan, no meio dos anti-imperialistas.

Eu sou o cara de camisa rubro-negra do Milan

À tarde fomos à um concerto gratuito na Universidade Tor Vergata, de Roma. O Campus fica mais ou menos a uma distância extremamente longe da cidade e ainda por cima choveu (eu estava com sorte, preciso admitir). Ainda não tenho certeza por que eu fui, já que não gostava de nenhuma banda. Como meus dois amigos latino-americanos anti-imperialistas iriam viajar ainda àquela noite nós fomos embora quando a chuva apertou. Isto fez um bem para o meu resfriado…

Na terça pela manhã eu e dois canadenses fomos para Nápoles. A cidade é o melhor sinônimo para bagunça que eu tenho em mente. Motos, carros, pedestres, feirantes todos disputando o espaço das ruas estreitas e barulhentas(afinal está na Itália). O albergue acho que foi o mais amigável que eu já vi, tinha uns bilhetinhos por todo a parte dizendo coisas como “a privada é sua amiga, e ela gostaria que fosse bem cuidada” ou “ninguém pediu para você amar o gato, mas só para ser carinhoso com ele”.

Hoje eu sou um fotógrafo melhor

Nápoles foi invadida por diversos povos durante a história. Os primeiros foram os gregos que fundaram a cidade. Depois os romanos a conquistaram, vieram os bárbaros visigodos do norte da Europa, os mouros africanos, normandos e hoje os italianos detém poder relativo sobre a cidade. É, não é muito controle não, porque eles são napolitanos e não exatamente italianos.

À tarde saímos para conhecer a cidade, o centro histórico e as ruazinhas estreitas, os bazares de rua. As feirinhas de rua e um pizza especialíssima. Há um castelo na baía da cidade chamado Castelo del´uovo, isso porque ele se mantém sobre uma pequeníssima ilha em forma de ovo e tem uma vista impressionante da cidade e arredores.

Na quarta pela manhã eu e Eric, um dos canadenses, a outra era Shawna (deve ser assim que se escreve…), fomos para Pompéia. Para quem não sabe a cidade era um antigo resort de romanos ricos e portanto tinha um padrão de vida luxuosíssimo. No início da era cristã uma erupção gigantesca do Monte Vesúvio sepultou a cidade em várias camadas de cinza e dejetos vulcânicos. Há uns duzentos anos um agricultor ao lavrau a terra encontrou a ponta de um prédio, e daí uma magnífica cidade veio à tona depois de 17 séculos dormindo. Templos, bordéis, restaurantes e ruas impressionantemente conservados, Pode se ver as marcas das rodas das carroças nas pedras do calçamento das ruas da cidade!!! É claro que o que mais falamos foi “It´s amazing!”. Voltamos para o albergue e decidi que iria para Palermo ainda pela noite, ainda comemos uma pizza deliciosa(que aliás foi inventada em Nápoles e não São Paulo).

Essa não é minha

Palermo para quem não sabe fica no canto da ilha que a bota da Itália chuta, portanto é bem longe de Nápoles e de qualquer outra coisa para dizer a verdade. Devido à isto passei a noite e a manhã de Quinta no trem que para variar chegou com quase duas horas de atraso na cidade. Eu não tinha muito tempo para ficar em Palermo então pus minha mochila num armário e fui para a vida. A cidade fica no sul do Mediterrâneo, portanto é super ensolarada, assim como Nápoles tem muitas influências de diversos conquistadores. Eu caminhei durante quatro horas pela cidade para conhecê-la, acho que consegui pelo menos ter uma idéia do que se passa ali. Ás vezes parecia muito mais moderna que uma cidade como Milão, por exemplo, ao conversar com os sicilianos descobri que a cidade tem sido destruída por sucessivos terremotos nos último séculos, e como não é nenhuma cidade hiper desenvolvida como a riviera francesa por exemplo, não preservou sua história nas ruas nem consegue manter seus habitantes empregados… Ao final da tarde embarquei para Florença, e aí se foram mais quinze horas de trem.

Na sexta feira, cheguei em Florença no fim de minhas energias. É, passar duas noites consecutivas dormindo em trens não é algo recomendável para descansar. Florença é um choque cultural com a Sicília, aqui eu conseguia entender o que as pessoas falavam, não o indecifrável napolitano, e cheio de turistas estrangeiros. Até me pergunto se mora algum fiorentino ainda hoje em Florença.

Aproveitei o dia para conhecer a cidade, caminhar um pouco e descansar um monte. A cidade tem um quê de museu ao ar livre, me pareceu que todos os prédios tinham alguma história interessante por atrás, como “foi aqui que Dante tropeçou”. Visitei uma galeria com a história de ciência, pois a cidade foi o palco para o início do Renascimento europeu e um dos maiores cientistas da história morou aqui, Galileu Galilei. Dormi um monte, eu estava precisando.

Um companheiro de quarto meu estabeleceu um novo recorde mundial de ronco, ele conseguiu roncar a noite inteira e de manhã, ao acordar, continuava roncando. O cara foi ao banheiro, voltou conversou e continuava roncando!

O sujeito branco pelado se chama Davi

No sábado visitei a Galeria degli Uffizi, onde estão todas as pérolas do renascimento italiano e fiorentino, ainda tentei ir ao museu de arte fiorentino para ver o David de Michelangelo, mas desisti quando vi a fila e o preço (era do preço da janta, preferi a janta). Tirei uma foto da cópia de David que está na praça central da cidade e esta acompanhada por alguns prédios históricos. À noite fui jantar com dois norte-americanos (esses caras se acham o centro do universo, já é um absurdo chamá-los de americanos…), comi minha primeira lasanha em território italiano, uma experiência deveras gratificante para mim, adorador de lasanhas.

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Bender: Jornalista, chato por profissão, fã de Mulher, Cerveja & Futebol.
Categorias: Europa, Mochilão, Viagem



One comment

  1. Marquilei Vargas says:
    04/06/2010 at 3:26 pm #

    Paz e Bem!

    Caríssimo Daniel Bender,

    Gostei muito dos seus relatos sobre sua viajem : ” Mochilão na Europa Semana II – De Roma à florença. Deve ter sido uma experiência saborosa, Adoro florença… Mesmo conhecendo apenas por literatura e fotos… Estou pensando em 2011 ir até à Itália… Tu poderias me informar, onde eu poderia me hospedar com preços baratos, tipo Albergues da Junventude… Na cidade de floreça tem Albergues… ? Ah! outra coisa que me chamou atenção, tu escreveres que tem uma forma de viajar barato de avião dentro da Argentina; poderia por especial gentileza informar qual?

    Sem mais, agradeço a fineza da atenção dispensada;

    Marquilei Vargas.

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