Escrito por Daniel Bender, visite seu site

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No domingo eu tentei acordar cedo, para variar não consegui e perdi o trem ideal para Veneza, pelo menos deu tempo de comer o pão fiorentino comprado na sexta com Nutella (ainda não tinha na Bananalândia em 2000). Ao chegar em Veneza me deparei com uma surpresa, um canal! Brincadeiras à parte a cidade fica numa coleção de ilhas um pouco isoladas da costa e não é que as ruas são de água mesmo? Simplesmente não há ruas, só água e calçada.

Acredito que Veneza tem o índice mais alto de turistas perdidos por metro quadrado. As pitorescas vielas são todas iguais. Além disso não há nada reto em Veneza, então o melhor senso de direção do mundo (o meu, claro) não adianta de nada, pois não existe uma organização geométrica. Acredito piamente que ir para Veneza e não se perder 15 x por hora tiraria toda a graça da experiência.

Lá eu visitei o palácio Ducal que conta um pouco da história desta ex-cidade-estado, uma das cidades européias mais poderosas da Idade Média. Na frente do Palácio fica a famosa praça de são Marcos, habitada por aproximadamente um quaquilhão de pombos. Do outro lado do canal, em frente ao Palácio e a praça, está a catedral de Santa Maria da Saúde, construída para salvar a cidade da peste. Não funcionou, claro, mas aposto que tornou alguns empreiteiros mais ricos.

Nessa mesma noite embarquei para Nice. Detalhe, passei o dia com o pão da manhã e uma pizza inteira de presunto.

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Segunda feira era feriado nacional francês, algo em honra à libertação da França depois da Segunda Guerra Mundial, portanto todos os museus interessantes estavam fechados e a cidade apresentava-se sonolenta e ensolarada. Nice é uma das mais antigas cidades francesas, foi fundada por gregos e somente foi submetida aos franceses por força de Luís XIV que construiu um forte num dos pontos mais bonitos da cidade para vigiá-la (o absolutismo é dez!).

A praia estava muito bem freqüentada por garotas de topless, e, para um dia não muito quente, até tinha bastante gente. Por falta absoluta do que fazer, já que não consegui lugar no albergue da cidade, decidi seguir viagem para Barcelona à noite, de novo.

Passar duas noites seguidas em um trem não é nada tão bonito quanto aparenta nos filmes. É uma droga, na verdade, e raramente dá para se aproveitar o dia após a segunda noite.

Em Barcelona, para variar o albergue que eu queria estava cheio, acabei ficando num quase ao lado, mas muito inferior, no dia seguinte troquei. Na terça feira saí para conhecer a cidade, o Bairro Gótico e La Rambla, um calçadão enorme onde artistas de rua fazem a alegria dos turistas. Ela começa no monumento à Colombo e vai até a praça da República. O Bairro Gótico é na verdade a cidade antiga, Barcelona há cento e cinqüenta anos.

Na quarta-feira subi ao Montjuic, ou monte dos judeus em catalão. Não eles não falam espanhol aqui, só catalão, nas ruas, nos jornais, nos ônibus, tudo está em catalão e algumas pessoas fazem questão de não entender espanhol!

Bom o Montjuic hoje é uma colina verde no centro da cidade, em sua volta está entre outras coisas o anel olímpico de Barcelona, o Museu Nacional da Catalunha, o Museu Mirò, o Museu do Exército e, naquele dia, também tinha muita chuva. Felizmente estava quente então pude me dar o luxo de ficar extremamente molhado.

À noite saí com um americano que falava espanhol e alemão, bicho esquisito, na verdade. Comemos umas tapas, ou aperitivos, e bebemos uns chopes em um lugar onde a água era mais cara do que a cerveja. Depois encontramos um bar cheio de estudantes norte-americanos. Aparentemente, o mundo está infestado por eles.

Na quinta fomos ao museu do Salvador Dalí, em Figueres. A cidade é um pouco longe de Barcelona então o dia foi gasto nisso aí mesmo.

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Na sexta caminhei o dia inteiro fui até a igreja derretendo, Sagrada Família (impressionante), mas como eu sou muito pão-duro, não paguei para entrar, hehehe. Barcelona parece o quintal arquitetônico de um tal de Gaudì, a cidade reflete seu espírito e gênio como Brasília faz com Niemeyer. Na avenida diagonal estão alguns prédios malucos desenhados por Gaudì ou pessoas que o imitam.

Caminhei um monte por toda a cidade. Acho que caminhei mais em Barcelona do que em qualquer outro lugar exceto as duas cidades onde morei. Embarquei à noite para Madri.

No Sábado, ao chegar, liguei para sete albergues e nenhum tinha vaga. Apenas em um eu talvez conseguisse vaga caso eu chegasse lá até as 9 da manhã. Cheguei às 9:05 e peguei a penúltima cama.

O albergue, apesar de simples, é bom e tem até elevador! Depois de deixar minha bagagem no quarto fui ao Parque del Retiro que é uma espécie de Parque do Ibirapuera madrilenho. Uma gigantesca área verde no coração da metrópole. Então me encaminhei ao Museu del Prado o qual descobri ser estonteamente grande! O museu abriga obras históricas espanholas, da era de ouro de um império que já foi o mais poderoso do mundo.

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À noite eu e um paulista fomos até a Plaza Mayor, construída em 1620 para o rei Filipe III e que definiu o estilo arquitetônico de toda a cidade e império, comer alguns tapas (aperitivos). Lá descobrimos que calles madrilleñas são feitas com bucho de boi, horrível. Pelo menos perdi a fome…

OBS: todas as fotos vieram do TrekEarth

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2 Comments to “Mochilão na Europa semana III - De Florença para Madri”

  1. Na carona dos amigos « Viaje na Viagem | July 1st, 2007 at 12:21 pm

    […] postou todas as cinco partes do seu mochilão europeu: de Milão a Roma, de Roma a Florença, de Florença a Madri, de Madri a Lisboa e de Lisboa a Paris. (A foto aí de baixo é do Parque das Nações, em […]

  2. CECÍLIA SANTOS | September 5th, 2007 at 4:37 pm

    Site demais esse aí falando de viagens… E quero aproveitar a oportunidade e dar uma dica valiosa, da Coleção: Europa para pão-duro , escrita pelo escritor-nômade-brasileiro , wilson junior… a coleção aborda os guias : Paris para pão-duro, Londres para pão-duro, Madri para pão-duro e hotéis para pão-duro -Versão: europa… Wilson junior é especializado em descobrir pechinchas legais pelo mundo… vale a dica… detalhes:
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