No domingo depois do Dynamo Open Air eu estava muito cansado e me conformei em caminhar por Amsterdã só relaxando. A destruição do dia anterior cobrou seu preço. Eu tossia muito e até meus sapatos novos (umas porcarias baratas que comprei na Espanha) estavam destruídos.
Ainda lavei minha roupa, o que é sempre bom e chequei meu e-mail. Durante o café conheci duas paranaenses muito idiotas, só pensavam em fumar maconha e arranjar um emprego qualquer. Uma acho que conseguiu trabalhar como doméstica ou faxineira.

Maconha em Amsterdã, novamente roubei a foto do Márcio
È o tipo de emprego que ela jamais aceitaria no Brasil, mas na Holanda… De saco cheio de não conseguir conversar com elas, pois eram muito idiotas, as despistei e fiquei só o resto do dia.
Acho que algumas pessoas aproveitam a saída do seu país para exercitarem sua idiotice integralmente. Uma delas, a loira, perguntou para a outra que língua se fala na Espanha. Dã.

Colônia e rio Reno em foto do Flickr
Na segunda pela manhã embarquei para Köln (ou Colônia) na Alemanha. Logo ao chegar dou de cara com a impressionante e linda catedral gótica da cidade, totalmente reconstruída após a guerra.
Localizei meu albergue a muito custo e então fui caminhar pela cidade. Acabei achando uma exposição muito nojenta para alguns, mas muito interessante para outros da qual me falara Cláudia quando estava em Paris
Era a mostra de corpos humanos plastificados, com a intenção de popularizar a anatomia do corpo. Esta mostra vem provocando polêmica por lá e apenas sete anos depois chegou no Brasil algo parecido feito com corpos de chineses. Depois ao mostrar os folhetos da exposição a algumas australianas vi que se precisa de estômago forte para encarar.
A polêmica da mostra foi tão grande que os alemães até produziram um filme de terror usando a mostra, chama-se Anatomia e é muito bom.

Carinha jogando futebol, peguei no Flickr
Na terça fui para Koblenz, onde o Reno encontra o Mosel e se produz boa parte do vinho alemão. O albergue onde me hospedei está hoje onde era o depósito de munição de um forte no topo de uma montanha. A paisagem é lindíssima.
O único problema é subir a montanha (300m de altura) a pé com a mochila nas costas. Era possível subir via teleférico, mas meu orçamento apertado (e meu pão-durismo) não permitiria isto. Subi caminhando junto com um casal alemão que estava empurrando suas bicicletas morro acima. Eles estavam viajando pelo país pedalando. Bonito isso.
Nesta fortaleza se encontram diversos serviços turísticos tais como: restaurante caro, albergue da juventude, bar caro, museu e um belvedere magnífico do Deutsche Ecke (esquina alemã), um monumento em homenagem à Bismarck erigido onde os cavaleiros teutônicos se encontraram eras atrás antes de ir devastar a Lituânia.

Rio Mosel e o Deutsche Ecke, via Flickr
No albergue eu reparti o quarto com um velho japonês, um casal coreano e o casal alemão. O velho japonês fez tanto barulho que eu achei que ele estivesse me tirando pra louco.
Ele comeu algumas ameixas chupando-as como crianças fazem sentadas em cima do muro durante uma tarde de sol. Só que era noite e eu queria dormir, assim como os outros quatro.
Depois o velho se levantou e começou a arrumar as coisas dele, mas ele não caminhava como uma pessoa normal, ele arrastava os chinelos no chão sempre. Sempre. E quando tudo estava finalmente pronto o cara se deitou e em questão de segundos começou a roncar. Alto, muito alto.
Alguns minutos depois de iniciada a sinfonia perguntei aos alemães se nós devíamos roncar também. Eles riram e não conseguiram dormir assim como eu.
Na quarta eu explorei a cidade, que em sua parte mais antiga tem uma aparência de Nova Petrópolis. Prédios em estilo enxaimel e tudo o mais, a cidade gaúcha no entanto é mais bonita.
Á tarde embarquei para Heidelberg. Na estação conheci uma alemã que foi me explicando os fatos da região até chegarmos em Manheim, onde ela desceu. O trem segue o curso do rio quase que o tempo todo e há muitos histórias sobre os marinheiros que já se acidentaram por lá. Num desfiladeiro onde o rio fica muito estreito, está a Lorelei. Uma sereia que encantaria os marujos fazendo com que esses perdessem o rumo e a vida para o rio.
Ao passarmos por esta parte, crianças dentro do trem começaram a cantar uma musiquinha em homenagem à sereia, que minha guia alemã disse ser de extremo mau gosto e sequer conseguiu traduzir para inglês.
Ao chegar em Heidelberg me dirigi ao albergue que, para variar, ficava no cú do mundo. Lá conheci o Robert, um australiano muito doido.
Os australianos são viajantes natos, mas como eu havia encontrado somente mulheres tive de repensar meus preconceitos. As mulheres viajam normalmente, como todo mochileiro. Mas os homens são tão radicais que saem do itinerário padrão.
Portanto enquanto há trinta australianas no Louvre, trinta australianos estão fazendo uma expedição através do Saara.
Este primeiro espécime que eu conheci estava acompanhando a temporada de verão dos festivais de rock da Europa, assim ele estava recém chegando de Cardiff e iria para Nuremberg em dois dias para pôr a mochila num armário da estação e passar o fim-de-semana dormindo no parque da festa. Sem barraca, só com a roupa do corpo.
Fomos dar uma volta pela cidade a pé. O centro da cidade ficava a uma hora e meia caminhando do albergue. Não pegamos ônibus, pois assim economizaríamos dinheiro. Os ônibus na Alemanha são caríssimos, cerca de três reais a passagem. Comprei comida, alguns waffles que depois vim a descobrir que deveriam ser assados para serem comidos. Mas crus também estavam bons, azar.

Ponte antiga de Heidelberg, de novo do Flickr
Na quinta eu e Robert fomos até o castelo da cidade, à pé, para variar. Mais três horas de pernada, e meia hora de subida até lá. Ao chegarmos lá, dois turistas nos ofereceram seus ingressos de graça, pois já os haviam utilizado e o porteiro não os inutilizara. Claro, economizamos mais dois marcos cada. O castelo, que data do século treze, é enorme e já foi destruído três vezes, duas por guerra e na terceira vez caiu um raio. Não o reconstruíram e ele se encontra em ruínas. Lá está o maior barril de chope do mundo, do tamanho de duas quitinetes, que ainda é utilizado. Adoro esses alemães.
Encontramos algo para comer, só algo porque não eu podia gastar muito. Então nos separamos, eu fui ao museu arqueológico de Heidelberg, que é super interessante, mas infelizmente está todo em alemão.
Na sexta bem cedo parti para Luzerna, na Suíça. Na estação de trem eu vi um cara com uma camiseta MINESSOTA UNIVERSITY, pensei: “Ih, é norte-americano, melhor não chegar muito perto”.
Ao chegar em Luzerna, lá estava ele com sua camiseta no posto de informações e como ele tinha idéia de onde ir e ficar em Luzerna, por puro interesse puxei conversa com ele. E depois eu vi que fora totalmente preconceituoso, pois Charles é um cara bem legal, e falava fluentemente alemão o que ajuda um pouco na Suíça Alemã.
Juntos fomos à um albergue que parecia um paraíso, ficava de frente para uma praia, era pertinho do centro, tinha cozinha e o escambau. Mas só tinha lugar para um. Ambos fomos cavalheiros e seguimos juntos a um outro albergue que também era muito bom.

Ponte medieval de Lucerna, um fogo wünderschöne, foto do TrekEarth
Lucerna é muito bonita, exuberante mesmo. Há um leão esculpido na rocha, que Mark Twain num surto absurdo de exagero chamou de “a escultura mais tocante que já vi”. O leão foi esculpido em homenagem aos mercenários que morreram guardando o trono de Maria Antonieta durante a revolução francesa. Lucerna é cercada por picos cobertos de neve e banhada por uma lago de águas glaciais, coisa impossível no Brasilzão.
À noite conheci o resto de meus companheiros de quarto, algumas australianas, várias americanas. E então decidimos dar uma volta pela cidade, para relaxar um pouco e tal, quando encontramos um grupo de suíços bêbados que nos contou sobre um incêndio wonderschön na ponte símbolo da cidade.
No sábado, saímos para conhecer a cidade mesmo. Conhecemos o mercado das pulgas de lá, as pontes sobre o rio formado no lago cristalino que me dava frio só de olhar para a água clara. O centro histórico lotado de lojas rentáveis e o muro da cidade, usado como proteção da cidade durante a Idade Média e a reforma.
Em Lucerna há um hotel (Gütsch) em cima de uma montanha altíssima, e até que não é tão cara a diária. Algo tipo Copacabana Palace. A vista lá de cima é maravilhosa, claro.

Hotel Grülsch em um bom momento
À tarde eu comecei a passar mal, parecia que ao fechar meus olhos eu iria morrer. Me falaram que talvez tivesse sido algo que eu tivesse comido, “eu não comi nada” respondia. “Ah, então é isso”. Conseguiram me convencer a gastar dinheiro e comer algo, como um chocolate suíço e depois um litro de leite, e uns biscoitos e então eu já estava bem.
À noite eu, Charles e um australiana, Tania fomos dar uma volta até o Cassino da cidade. Seria o primeiro cassino que eu entraria na vida, mas nos pediram passaportes para entrar, o que obviamente não tínhamos. E não pudemos entrar. Então voltamos ao centro da cidade e comemos um Subway de emergência, pois a fome já voltava a espreitar.




29/10/2007 at 8:57 am #
[...] Veja aqui, Mochilão na Europa semana VII – De Amsterdã à Lucerna [...]
29/10/2007 at 12:33 pm #
Show, Bender. Valeu por compartilhar, espero um dia fazer um mochilão por lá também.
29/10/2007 at 1:51 pm #
Show de bola essa viagem hein.
05/11/2007 at 3:50 pm #
[...] Daniel Bender [...]
27/12/2007 at 9:23 am #
[...] dia postei por aqui mais uma etapa da minha viagem à Europa de mochilão e dois amiguinhos virtuais, o Morro Reuter e o Rafael Slonik, vulgo gurincrível e [...]
27/12/2007 at 11:56 am #
Oi Daniel,
Que irado seu texto cara!
Po, to tomando coragem para realizar esse sonho q é caminhar pela Europa durante UM ANO!!! Certamente as suas dicas serão aproveitadas.
Grande abraço.
Mauricio
26/03/2008 at 10:22 am #
Nossa muito legal, mas eu gostaria de uma dica se puder, voce saberia me dizer qual a forma mais economica de ir a Paris para Amsterda.
30/06/2008 at 1:29 pm #
Cara,
Você poderia me repassar um email contendo todos os capítulos? Ou pelo menos os links deles… Nâo estou conseguindo encontrá-los… Sou marinheiro de primeira viagem e pretendo fazer um mochilão (aparentemente sozinho) pela Europa no fim de 2009/ inicio de 2010… Através de seus capítulos creio que posso começar a planejar minha viagem a partir da sua. Desde já antecipo que não sou nem um pouco como as paranaenses (isto nao é diversão). Entretanto, gosto de diversão… Ainda estou na dúvida se planejo uma viagem mais cultural ou mais voltada para diversão. Desde já agredeço, eric_adrian_jr@yahoo.com.br!!! Abraço!!!
21/08/2010 at 10:16 pm #
muito bom !
espero um dia dar uma volta por lá !