Talvez o título deste post dê a entender que falarei de Paris em dois momentos de Paris, talvez duas estações do ano, mas na verdade é a mesma Paris, os dois momentos são meus.

Na primeira vez em que fui para Paris, tinha 15 anos. Estava indo morar seis meses em Nantes, cidade do interior da França, para fazer um intercâmbio. Durante esse período, voltei à cidade algumas vezes, e todas foram ótimas. Como todo mundo que conhece a cidade (pelo menos não conheço nenhum exemplo que me desminta), amo Paris. AMO Paris. A cidade é tão linda e glamourosa que tomar um café na esquina é uma experiência chique, e me sinto “diferente” toda vez que vou para lá (mas acho que um pouco disso deve ser porque nos sentimos “diferentes” toda vez em que estamos em um país que não é o nosso – ou esta é a impressão que eu tenho).
Quando eu ia visitar os filhos dos meus anfitriões de Nantes em Paris, ficava hospedada no sótão do apartamento de um deles. Dormia ouvindo o barulho dos ratos que passeavam do meu lado, e ouvia a louça se mexendo sozinha no armário quando eles lá entravam, mas nem isso me incomodava. Aos 15 anos, tinha disposição para tudo, andava por todos os cantos, topava todos os programas, queria conhecer cada canto da cidade luz. Nos momentos de tédio, pensava “Estou em Paris!”, e saía para andar, para ver uma rua nova, para ir ao cinema, para andar no metrô da cidade, para ir ao Louvre, para ficar decepcionada porque o Beaubourgh estava em reforma, mas já ficar animada ao ver as coloridas esculturas se mexendo dentro da fonte, e tirar uma foto com cara de menina perto delas. Como eu ainda não tinha muita autonomia, fui a restaurantes que foram escolhidos por outras pessoas, e fiz passeios que talvez sozinha eu não tivesse feito – e isso não é uma reclamação.
Há (nem acredito que já faz tanto tempo) quase dois anos, fui a Paris pela segunda vez, aos 23 anos (eu sei que seria mais legal se tivesse sido aos 25, pois seriam exatamente 10 anos de diferença, mas foi com 23). Me sentindo uma local, cheia de mim pois já “conhecia” a cidade. Nos primeiros dias, fiquei em um albergue imundo, que não recomendo a ninguém (depois escrevo sobre ele….deprê!!! Só para avisar, chama Friend’s Hostel, NÃO fique lá). Depois, meu amigo arranjou, na maior cara-de-pau, para eu e ele ficarmos hospedados no apartamento de uma ex-namorada do irmão dele (olha o nível da cara-de-pau) na Île St. Louis. Se você não sabe, como eu também não sabia, a Île St. Louis é um dos lugares mais chiques da cidade. Super bem-localizada, e com ruas super charmosas, com lojinhas bem simpáticas e a sorveteria do que dizem ser o melhor sorvete do mundo, o Berthillon (e eu não posso desmentir, é muito bom mesmo – e custa o olho da cara, obviamente, mas como eu estava ficando for free deu pra dar uma enlouquecida).
Muito mais consciente e independente do alto dos meus 23 anos, aproveitei Paris muito mais dessa vez, descobrindo coisas e lugares sozinha, visitando lugares novos, andando sem rumo pela cidade mais linda que eu já vi e me sentindo uma adulta realizada de estar lá de novo. Talvez eu esteja parecendo uma idiota sentimental babando ovo para cima da cidade, e esquecendo de seus defeitos – os franceses são antipáticos, as filas são quilométricas, há hordas de turistas em todo canto. Na verdade, nada disso me incomoda muito. A verdade é que fico especialmente feliz quando viajo, e que me sinto muito bem e muito “aventureira” até nos momentos mais simples quando estou em um país estrangeiro, mas Paris é especial. Não sei direito porquê. Talvez seja porque os franceses são elegantes, porquê o Sena cruzando a cidade é lindo, porque andar a pé é possível e delicioso, porque em toda esquina tem crepe de chocolate.

Vivo planejando minha próxima viagem (pesquisar preços de passagens para quase todos os lugares do mundo é um dos meus hobbies, pronto, falei), e invariavelmente tenho vontade de ir para TODOS os lugares que me ocorrem. Sempre penso que deveria visitar um lugar que ainda não conheço (especialmente porque não tenho dinheiro para visitar lugares novos e “antigos” com tanta freqüência quanto gostaria), mas Paris nunca, nunca sai dos meus planos.
Originally posted 2007-11-26 16:10:31. Republished by Blog Post Promoter




27/11/2007 at 7:50 am #
Estou doido de vontade de voltar para Paris. Ano que vem faz 8 anos que tive lá.
Talvez seja alguma coisa escondida no número 8
01/12/2007 at 8:57 pm #
Sou louca para conhecer Paris, mesmo com a fama de mal humorados dos franceses…
)
Agora, com seu post, me deu mais vontade ainda!
13/12/2011 at 12:30 pm #
Lindinha,
Paris é única!!! Já estivemos lá inúmeras vezes e sempre encontramos um motivo para retornar. Entretanto por incrível que possa parecer, nós não vamos lá há mais de 10 anos, pode?? e vivemos num lugar que fica exatamente a 592 quilômetros de distância. Mas nos arredores já passamos inúmeras vezes…
Quem sabe no próximo ano de 2012, temos projeto de estar por lá pelos menos por 110 dias ou mais…
Mas se vc ama Paris, continue amando, apesar da fama dos franceses.
abs,