Escrito por Lucia Malla, visite seu site
Algo que muito me surpreendeu durante minha longa estadia na Coréia do Sul foi a interface com a religião que o coreano tem. São extremamente cristãos - eu esperava ver muito mais budismo e confucionismo que cristianismo, mas me enganei redondamente. Hoje em dia, a terra de Confúcio é um país com igrejas evangélicas para todos os gostos. O coreano de hoje baseia sua convivência social na igreja e em geral atende aos megalomaníacos espetáculos de pastores em salões paroquiais que mais parecem shopping centers.
E nada mais “cristão” que o Natal. Entretanto, o Natal na Coréia do Sul é uma experiência pitoresca. Para aqueles que não curtem muito o espírito natalino, talvez Seul seja o local ideal. Existem, é claro, manifestações ocidentais do Natal - árvores, figuras de Papai Noel enfeitadas, vendedores com gorros vermelhos, etc. Mas nada muito exagerado, tudo na mais precisa discrição coreana. Aliás, nem parece que é Natal se andarmos pelas ruas da cidade.
Embora o povo coreano seja muito cristão, não há a tradição da reunião familiar, comer peru (mesmo porque essa ave é raridade nos supermercados por essas bandas), comprar e dar presentes. Tudo é meio que “copiado” dos ocidentais e sem identidade. E sem muita relevância. Coletando informações com colegas de trabalho, descobri que a única tradição de Natal prevalescente é ir a igreja no dia 25. Só.
Esse cristianismo orientalizado que culmina com o desprezo justamente pela data mais “importante” no calendário cristão talvez seja a maior contradição que presenciei na Ásia. E nada ilustra melhor essa contradição que o bizarro presépio que vi num hotel em Seul: com as figuras de José, Maria e os reis magos representados por bonecos… com roupas confucionistas! Tudo bem que também pode ser considerado o traje nacional da Coréia (por causa de Confúcio), mas é acima de tudo um excelente exemplo da salada cultural presente por lá: onde o oriente encontra o ocidente - e o transforma.
(Adaptado de original publicado em 24/dezembro/2004.)
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Não sou cristão e nem coreano, mas tenho a impressão que é exatamente ao contrário, eles focam no que importa no Natal. Essa coisa de comer peru, dar e receber presentes parece-me uma adaptação moderna e, principalmente, comercialização da data.
E a questão da falta de identidade, copiado do ocidente também é ao contrário, pois os bonecos do presépio usam roupas típicas.
Fiquei com impressão de que o Natal é triste na Coréia. :-(
Não consegui ver a foto do presépio pois a imagem foi bloqueada aqui na empresa em que trabalho por estar armazenada no Flickr. Mas depois vou voltar aqui para conferir, lá de casa.
[]’s
Ola! sou cristão e pastor, confesso que fiquei surpreso pelo fracasso da tradiçao romana na Coréia do Sul. é bom saber que a fantasia natalina está perdendo a sua força comercial e mistica na Coréia e também no Brasil. gosto da data, me reuno com minha família oramos juntos louvando a Jesus por um dia ele ter nascido, vivido, morto e ressucitado ao terceiro dia. Penso que somente isso basta para que tenhamos um feliz natal. naõ precisamos nos afunadar em dividas para darmos presentes a alguém, Jesus disse: para darmos amor uns aos outros, muitos estão dando presentes mas não o fundamental, amor.um abraço bem forte a todos.
Sou descendente de japoneses nasci num berço cristão, infelizmente a coréia é um pais protestante onde não absorveu os feriados cristãos que são predominantemente católicos. Mas talvez seja também pela a discriminação que há entre os coreanos e japoneses, pois no Japão pais xintoísta e budista, enfeita as ruas todas com símbolos natalinos, mas infelizmente é apenas no sentido comercial.