Escrito por Fernanda Beck, visite seu site
Antes de mais nada, uma explicacao. Estou em Budapeste, na Hungria, e os teclados dos computadores aqui sao impossiveis. Assim, nada de acentos, cedilhas, esquisitices. Um pedido de desculpas sinceras, espero que voces me entendam mesmo assim.
E agora o comeco do post.
Por sorte, sempre tive otimos professores de ingles na vida, e pais que puderam me por em colegios bons e pagar viagens que me ajudaram a aprender ingles muito bem, frances bem e um espanhol razoavel. Assim, em todas as viagens que eu fiz ate hoje na vida nunca encontrei muita dificuldade para me comunicar, fosse para reservar um quarto, fazer compras, ir ao restaurante ou perguntar por informacoes no meio da rua - no minimo mais ou menos, as pessoas sempre falavam ingles, ou frances, ou espanhol. E entao eu nunca tinha passado pela situacao de ser turista incomunicavel, ate aceitar um emprego em Budapeste e me deparar com o hungaro.
Para quem nunca viu - e a maioria das pessoas nunca viu - o hungaro e uma lingua que nao se parece em nada com nenhuma lingua latina, o que torna impossivel “chutar” o significado das palavras se voce nao tem nenhum conhecimento previo sobre elas. Assim, meus primeiros dias na Hungria foram dias de desespero, me arrependendo de ter vindo e completamente frustrada pois nao tinha autonomia nenhuma. Dificil. Passado o choque inicial, decidi que ia conhecer a cidade mesmo assim, mergulhei no guia que eu trouxe e sai por ai, com a cara e a coragem. E valeu a pena! Budapeste e uma cidade linda, dividida entre Buda e Peste pelo rio Danubio. A arquitetura da cidade e um prato cheio, com pontes, casas, predios, museus e castelos nos mais diversos estilos. O Budai Var, principal castelo da cidade, e um show a parte, com um patio cheio de arvores o separando da igreja do rei Matias, outro ponto historico de Budapeste (fotos abaixo).

A maioria dos hungaros nao fala ingles. Nem mesmo os vendedores em lojas ou atendentes em pontos turisiticos, e os hungaros tem fama de ser grossos com quem nao fala hungaro - eu infelizmente nao posso desmentir a lenda. As vezes voce da sorte e encontra quem conheca a lingua, mas e pouco comum. Se voce sabe alemao tem mais chances de conseguir ajuda andando pela rua do que quem so fala ingles, o que e curioso para uma cidade turistica - mas na Hungria muita coisa curiosa acontece.
Depois dos primeiros dias decidi que precisava aprender um pouco mais de hungaro, comprei um dicionario de hungaro-ingles (e tentei pagar no lugar errado, porque nao sabia onde era o caixa da loja…) e comecei a procurar as palavras mais basicas. Agora ja estou dominando o transporte publico, ja consigo ir a restaurantes e sei palavras simples como “aberto”, “fechado”, “obrigada”, “com licenca” e, mais importante, “eu nao falo hungaro” (”Nem beszelek magyarul”, para quem ficou curioso. Mas a pronuncia sao outros 500!).
Depois de quase dois meses de Budapeste, decidi que vou continuar como estou - sem saber falar a lingua, me virando como da, as vezes em ingles, as vezes na mimica, as vezes desistindo e indo embora, porque simplesmente nao rola. Minha primeira experiencia tanto no leste europeu como como turista que nao fala a lingua no comeco foi traumatica, mas agora esta sendo proveitosa. No fim das contas, acima de tudo fica a licao de que realmente nao e necessario falar a lingua para visitar o lugar, e ate onde eu estou vendo, nem para morar. E esquisito, mas nao e impossivel, e muita gente aqui faz igual. Sempre li nos guias que e importante viajar mesmo sem falar a lingua do lugar, mas nunca dei muita bola porque meu ingles sempre segurou a barra. Agora e que eu estou sentindo na pele o que e nao ser compreendido nem compreender, e entendo quem passa apuro porque o ingles nao e tao afiado.
No meu proximo post eu conto mais sobre Budapeste, em tudo que ela tem de bonito e feio, e como a historia e presente nesta cidade - seus resquicios comunistas sao visiveis mesmo para o turista que so fica alguns dias aqui. Este era mais para dizer que o importante e ter coragem e por a cara pra bater, na lingua que for, sem medo. Saber algumas palavras sempre ajuda e e simpatico - mas eu, querendo ser simpatica, sempre fico com cara de tonta quando as pessoas saem falando hungaro depois que eu mando um “jo napot kivanok” (”bom dia” em hungaro) e passo a impressao erronea de que sei falar a lingua). Entao cuidado na hora de gastar o vocabulario! ;)
Boa viagem!
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