
A segunda maior cidade brasileira, o Rio de Janeiro tem suas qualidades inegáveis. Algumas praias bonitas e alguns bairros charmosos (quatro, na verdade), mas, sinceramente, passear por lá às vezes é um saco.
Não adianta dizer que o clima é fantástico e faz sol o ano todo. Eu acho isso um aborrecimento tremendo e tenho certeza de que muitos cariocas concordam. Calor 365 dias por ano é um saco. Frio 365 dias por ano também, mas não há nenhuma cidade assim no Brasil.
Na minha visão, o maior problema do Rio de Janeiro é o calor. Sério. Não sou determinista e não acredito que climas mais quentes deixem as pessoas mais moles. Acontece que no Rio, em dias quentes, 40% da cidade vai para a praia, 40% para o shopping e os outros 20% estão se deslocando da praia para o shopping. Sério, tanta praia e shopping não faz bem.
A cidade

Abandonada por seus habitantes mais abastados, a cidade do Rio de Janeiro vai se degradando aos poucos. A glória da única cidade americana a sediar um império europeu está praticamente ofuscada pelas tentativas de controlar o comércio ambulante.
O Paço Imperial é um lugar icônico no centro da cidade. A partir de lá é possível passear por várias ruelas dos tempos de colônia.
Infelizmente, o gênio que projetou a última reforma do local não achou relevante destacar os prédios coloniais e imperiais do Rio. Assim, a placa que está no local só indica a localização dos novos arranha-céus já manchados de urina há décadas.
As praças estão mal-cuidadas, muito abaixo do que se espera de uma metrópole. O Jardim Botânico é quase uma piada sem graça. As únicas áreas com boa estrutura ostentam grandes placas de empresas que pagaram pela obra. Detalhe, em sua maioria essas obras foram pagas com renúncia fiscal. Portanto quem pagou foi o Estado, não as empresas.
As praias

O problema da cidade são as praias. Nem são muitas e nem são grande coisa, mas todo carioca acha que são o máximo. Parece que ficar no sol coletando radiação UV é a coisa mais fantasticamente divertida do mundo.
Sinceramente, as praias de Florianópolis são bem mais bonitas sem tanto trânsito. É muito mais natureza com muito menos favelas.
A lagoa Rodrigo de Freitas e suas vizinhanças têm seus encantos, mas, sinceramente, o tráfego é uma bosta.
Barra da Tijuca

Um dos lugares mais bonitos do Rio de Janeiro, sem dúvida, é a Barra da Tijuca, mas o que se vê é a suburbanização de uma cidade que tinha vocação para metrópole. A Barra é o oposto de uma cidade.
Avenidas largas, espaços enormes e estacionamentos gratuitos por todo o lado. Isso parece mais uma cidade norte-americana do que uma brasileira. Muito bem senho Lúcio Costa, o senhor planejou uma não-cidade.
Em cidades as pessoas caminham, na Barra ninguém caminha. Quer dizer, só caminha na praia, que, por sinal, não tem nada de mais.
A parte bonita da Barra é a lagoa da Tijuca, aquela que 95% das pessoas atravessam correndo para chegar logo na praia depois de sair do shopping.
As favelas e a violência

A favelização do Rio chegou a um nível de excelência e institucionalização que levam a crer que apenas assim a cidade é possível.
A mesma cidade que permitiu o surgimento de colossais obras do descaso social como as favelas é um pré-requisito para que os coitadinhos favelado se virassem contra eles em um crescendo de violência interminável.
A violência no Rio nunca vai melhorar porque faz parte do espírito da cidade deixar a coisa acontecer. Só não pode mexer com a praia e com o shopping.
Conclusão
Não leve muito a sério esta coleção de idiossincrasias. Vá e conheça o Rio e tire suas próprias conclusões.
OBS: de tempos em tempos aparece algum comentarista mais mal-humorado por aqui e, geralmente, eu me limito a me divertir com suas diatribes. Mas em alguns casos vale a pena resgatar o que andam falando e discordar profundamente.
Vejam só esta pérola de comentário
“blog extremamente carioca, bairrista ao extremo.”
E este post é a resposta.
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